Paraná foi atingido por 6 tornados em intervalo de três dias, confirma Simepar; veja onde
22/07/2026
(Foto: Reprodução) Reserva (PR) é atingida por tornado F2, confirmam meteorologistas
O estado do Paraná foi atingido por cinco tornados entre os dias 28 e 30 de junho.
A informação foi confirmada ao g1 nesta quarta-feira (22) pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), após análise de campo e de mapeamentos realizados por sobrevoos de drone, satélite e dados de radar.
Segundo o órgão, os tornados passaram pelos Campos Gerais e região central do estado, nas cidades de Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva — nesta última, o fenômeno já havia sido confirmado anteriormente. Veja imagens acima.
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Segundo o Simepar, no dia 28/06, Reserva foi atingida por um tornado categoria F2, e Nova Cantu por um tornado categoria F1.
Em 30/06, Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins foram atingidas por tornados categoria F1.
No mesmo dia, outro tornado atingiu novamente Inácio Martins e chegou a Cruz Machado, mas não foi classificado, pois não houve registro de danos, conforme o Simepar.
A coleta de dados das equipes do Simepar teve apoio da Defesa Civil estadual, e a análise foi feita pelas equipes de Meteorologia e Geointeligência.
Além dos danos à vegetação, a análise considera o padrão de destruição deixado. Diferentemente de outros fenômenos, como microexplosões atmosféricas ou rajadas intensas de vento, em que os destroços costumam cair na mesma direção, os tornados deixam um rastro com sinais claros de rotação, observado pelos especialistas durante as inspeções em campo.
As análises foram feitas também em Rio Bonito do Iguaçu e em Nova Laranjeiras, mas o Simepar descartou qualquer situação mais severa do que o granizo em ambas as cidades.
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Região propensa a tornados
Desde o início do ano, outros três tornados foram registrados no estado: dois em janeiro — em Mercedes (oeste) e São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) — e um em fevereiro, em Foz do Iguaçu.
Em 2025, o primeiro foi em setembro, em Santa Maria do Oeste. Em novembro, outros três, mais devastadores, atingiram a região central do estado: um em Turvo, um em Guarapuava e um em Rio Bonito do Iguaçu — cidade que foi 90% destruída pelo fenômeno. Veja os detalhes e as diferenças entre todos eles mais abaixo.
Segundo especialistas, o Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no planeta. O estado ocupa o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas das chamadas "pradarias centrais" dos Estados Unidos, que têm como característica relevo plano e áreas de baixas altitudes.
De acordo com a especialista em tornados Karin Linete Hornes, professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), um dos motivos que deixa o território paranaense vulnerável é a combinação entre massas de ar quente e de ar frio.
"Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados. Claro que, além de tornados, nós também temos vendavais e chuva de granizo, que estão associados a esses eventos de tempestade severa", detalha Hornes.
Como é feita a classificação na Escala Fujita
Tornado F4 causou destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná
Portal Boletim
Existem duas formas principais de classificar tornados: a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF).
No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente, e o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados — quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno.
Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos. A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma classificação. Veja abaixo:
Tornado F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves;
Tornado F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados;
Tornado F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis;
Tornado F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos;
Tornado F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores;
Tornado F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema.
Diferenças entre os tornados do Paraná
Veja, abaixo, as informações divulgadas pelo Simepar sobre as principais diferenças entre os tornados registrados no Paraná em 2025 e 2026:
Um tornado em setembro de 2025
Destruição em Santa Maria do Oeste foi causada por tornado, diz Simepar
Imagens cedidas/Polícia Militar/Mariely Pereira Moreira
Um tornado F1 passou por Santa Maria do Oeste (região central) em 22 de setembro de 2025, com ventos de 120 km/h. Moradores ficaram mais de 24 horas sem água e sem luz depois que o vendaval atingiu o município. Casas foram destelhadas e plantações e estufas na área rural ficaram destruídas.
Três tornados em novembro de 2025
Tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR)
Foto: Ari Dias/AEN
Três tornados passaram pela região central em 7 de novembro de 2025. Ao todo, 11 cidades foram afetadas:
Tornado 1 passou por Quedas do Iguaçu (F1), Espigão Alto do Iguaçu (F1), Nova Laranjeiras (F1), Rio Bonito do Iguaçu (F4), Porto Barreiro (F3), Laranjeiras do Sul (F3), Virmond (F2), e Cantagalo (F1);
Tornado 2 passou por Candói (F2) e pelo Distrito de Entre Rios, em Guarapuava (F4);
Tornado 3 passou sobre Turvo (F2).
Em Rio Bonito do Iguaçu, onde o fenômeno foi mais forte, os ventos chegaram próximos a 400 km/h. A cidade teve que ser praticamente inteira reconstruída.
Devido às tempestades, seis pessoas morreram em Rio Bonito do Iguaçu, e uma sétima em Guarapuava. No total, segundo as autoridades, ao menos 835 pessoas ficaram feridas no estado e precisaram de atendimento médico.
Dois tornados em janeiro de 2026
Tornado São Jose dos Pinhais
Reprodução
Em janeiro de 2026, um tornado F1 foi registrado no dia 2 em Mercedes (oeste) e um tornado F2 passou por São José dos Pinhais e Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) no dia 10.
Segundo o Simepar, na região metropolitana os ventos chegaram a 180 km/h. O percurso foi de cerca de 1 km, sendo que o fenômeno não tocou o chão o tempo todo. Mesmo assim, houve estragos em diversos imóveis. Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que um cachorro foi arrastado pela ventania.
Um tornado em fevereiro
O Simepar também registrou um tornado às 14h do dia 7 de fevereiro em Foz do Iguaçu. Segundo o órgão, apenas uma propriedade foi atingida e ele foi o mais brando de todos, classificado na categoria F0 — quando os ventos ficam entre 65 km/h e 116 km/h.
Primeiro tornado registrado em junho
Reserva, nos Campos Gerais, foi atingida por fortes temporais
Prefeitura Municipal
O primeiro tornado confirmado em junho foi no dia 30, em Reserva, nos Campos Gerais. Ele teve ventos de 200 km/h e foi classificado como F2.
O fenômeno passou pela localidade rural de Imbú. A prefeitura contabilizou 11 casas com danos significativos e pelo menos 50 pessoas afetadas, sendo que 10 ficaram desalojadas e precisaram ir para a residência de parentes ou amigos. Uma moradora teve ferimentos leves. A vegetação ao redor e veículos de moradores também foram danificados pela força do vento e do granizo.
Ao longo de três dias, o estado registrou temporais com grandes acumulados de chuvas que provocaram alagamentos, queda de granizo com pedras do tamanho de ovos que destruíram telhados e ventos fortes.
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