Mar avança de novo e forma paredão de areia em praia de Matinhos, ao lado da estrutura onde Governo do Paraná promove shows de verão
20/01/2026
(Foto: Reprodução) Forte ressaca causa estragos no litoral do Paraná e forma novo paredão de areia
A forte ressaca que atingiu Matinhos, no litoral do Paraná, formou um novo degrau de cerca de 2 metros de altura na faixa de areia no fim da tarde de segunda-feira (19). Banheiros químicos instalados na orla também caíram.
O paredão surgiu após uma ressaca — quando ventos fortes e marés mais altas provocam a erosão da orla — e se formou próximo à estrutura dos shows do Verão Maior, promovido pelo Governo do Estado.
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A primeira ocorrência do fenômeno foi registrada em 4 de janeiro. Na ocasião, equipes do governo estadual fizeram uma contenção emergencial no local. No dia seguinte, a areia começou a ser recolocada na tentativa de nivelar a orla da praia.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos no litoral chegaram a 50 km/h.
Uma equipe da Defesa Civil estadual esteve no local para avaliar os estragos, e a Prefeitura de Matinhos confirmou a ação intensa da ressaca na cidade.
Degrau praia Matinhos
Reprodução/RPC
Degrau areia Matinhos
Reprodução/RPC
Em nota, o Instituto Água e Terra (IAT) informou que mobilizou equipes para atuar na região afetada. Segundo o órgão, os trabalhos de recomposição da areia serão feitos em conjunto com a empresa responsável pela obra, durante a noite e ao longo dos próximos dias.
"A proteção que foi feita no começo do ano ajudou a conter a perda de estrutura da praia e evitou alagamentos na área central de Matinhos", disse o instituto.
A ressaca também provocou transtornos no transporte marítimo. Quem tentou retornar da Ilha do Mel, enfrentou dificuldades por causa das condições do mar. A Prefeitura de Pontal do Paraná informou que o transporte por barca foi suspenso por determinação da Marinha.
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Alertas anteriores sobre a engorda da praia
Obras de engorda da faixa de areia em Matinhos foram concluídas em 2022.
Alessandro Vieria/AEN
Entre 2020 e 2021, um grupo de pesquisadores da UFPR publicou três notas técnicas apontando para "graves consequências ambientais, paisagísticas e financeiras do empreendimento, assim como para a qualidade de vida da população afetada, especialmente a longo prazo".
O parecer final recomendou o "cancelamento dos procedimentos de execução da obra e novo rito de licenciamento e viabilidade ambiental".
De acordo com os pesquisadores, a erosão que atinge a orla de Matinhos tem origem na ocupação irregular da região de areia e degradação da vegetação nativa.
"Com a retirada da vegetação primária de restinga, somada à ocupação da faixa de areia por edificações antrópicas, perdeu-se demasiadamente o equilíbrio ecossistêmico na região. Esses impactos culminam com o aumento da vulnerabilidade das áreas costeiras a ressacas", destacava o documento.
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