Empresário é denunciado por usar senha do gov.br da ex para roubar empresas milionárias dela e ameaçá-la, no Paraná
05/11/2026
(Foto: Reprodução) g1 teve acesso à denúncia criminal
Reprodução
O empresário Pedro Emilio Kuhn Justus, de 32 anos, foi denunciado à Justiça por usar a senha do gov.br da ex-esposa de 31 anos para roubar duas empresas dela e também por ameaçá-la em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
Segundo a denúncia formalizada pelo Ministério Público do estado (MP-PR), o homem aproveitou que tinha acesso à conta virtual da vítima e passou duas empresas da ex-esposa para o próprio nome, sem conhecimento dela.
Em uma das transferências, ele declarou um valor de R$ 4 milhões, que nunca foi pago à vítima, e em outra causou à mulher "expressivo prejuízo patrimonial, considerando que o acervo da empresa incluía veículos de luxo, como um Porsche Panamera avaliado em R$ 870 mil", diz a denúncia.
A promotoria ainda aponta que ele também chegou a ameaçar a mulher e a ex-sogra para tentar evitar dividir bens no divórcio. Saiba mais abaixo.
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Pedro Emilio Kuhn Justus foi denunciado três vezes pelo crime de ameaça contra a mulher e duas por estelionato, agravado por prevalecer-se de relações domésticas. A denúncia está em análise no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
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Luís Gustavo Janiszewski, advogado que atua na defesa do empresário, afirma que a denúncia "ainda não ganhou corpo", alega que o que existe é "um conflito patrimonial de duas pessoas que tiveram relacionamento" que não deveria correr na justiça criminal, e que acredita que o processo vai provar a inocência do empresário.
"Essa denúncia, que ainda não foi recebida, ainda não ganhou corpo. É necessário, primeiro, uma decisão judicial e depois o devido processo legal. Não tenho dúvida de que ele será absolutamente absolvido de todas as imputações que ocorrem neste momento, mas o pano de fundo e o que chama a atenção é que existe um conflito patrimonial de duas pessoas que tiveram um relacionamento. Infelizmente, a Justiça criminal não é dada a resolver esse tipo de conflito e está sendo utilizada de uma maneira errada. O devido processo legal provará a inocência deste empresário", afirma.
Adriele Andrade, advogada que trabalha junto com Fernando Madureira na defesa da vítima, conta que a Justiça concedeu uma liminar para impedir a transferência das empresas e dos veículos e uma medida protetiva para impedir que o empresário se aproxime da vítima ou a contate de outra forma.
"Ao todo, são cinco crimes imputados pelo Ministério Público, sendo dois estelionatos e três ameaças. Consideradas as penas em concurso material, a soma pode chegar a 13 anos de reclusão. É importante destacar que a violência patrimonial também é uma forma de violência contra a mulher expressamente reconhecida pela Lei Maria da Penha, especialmente quando há retenção, subtração ou destruição de seus bens e recursos econômicos", diz ela.
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Ameaças
Na denúncia, a promotoria cita dois casos em que Pedro ameaçou a ex, e um em que a ameaça foi direcionada à mãe dela. Todos são apontados como tendo acontecido após as transferências das empresas.
Segundo o MP, em um primeiro momento ele disse à ex que, caso ela ingressasse com ação judicial de partilha de bens, eles “iriam se matar e que isso seria pior para ela”. Depois, afirmou que iria divulgar imagens da mãe dela na cidade, escrevendo: “Vou fazer outdoor na cidade com print da tua mãe, se você não atender essa m***a. Não adianta bloquear”.
Por fim, ainda disse à ex-sogra que possuía "materiais comprometedores e informações pessoais que seriam expostos publicamente, com o objetivo de forçá-la a influenciar sua filha a desistir do litígio patrimonial", afirma o MP.
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