Desaparecida durante venda de rifas: caso de criança assassinada em 2006 é reaberto quase 20 anos depois no Paraná; relembre

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime A morte da menina Giovanna dos Reis Costa, em abril de 2006, teve novos desdobramentos nesta quinta-feira (19), depois que o caso foi reaberto e Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente pelo crime em Londrina, no norte do Paraná. O homem voltou a ser investigado depois que uma ex-enteada dele o denunciou por abuso sexual e relatou que, enquanto a ameaçava, Martônio fez referência à morte de Giovanna. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Giovanna tinha nove anos quando desapareceu, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos, amarrado com fios elétricos e com sinais de violência sexual. A defesa de Martônio afirmou que não teve acesso ao processo e destacou que "no Estado Democrático de Direito, toda pessoa tem o direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência". O g1 e a RPC tiveram acesso a documentos do inquérito reaberto após quase 20 anos. Relembre neste texto como foram as investigações sobre a morte da menina Giovanna. Desaparecimento Giovanna tinha nove anos quando foi morta. Arquivo/RPC Giovanna desapareceu no dia 10 de abril de 2006, enquanto vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Vizinhos se uniram à família para tentar encontrar a menina. Dois dias depois, em 12 de abril, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A vítima também tinha "sinais extremos de violência sexual", segundo a polícia. As roupas de Giovanna foram localizadas em outro terreno desocupado, a cerca de 50 metros de distância da casa onde morava a família da menina. "A criança desapareceu ali nas imediações e o corpo foi localizado ali também. Tudo indica que o crime ocorreu em uma daquelas residências", disse, na época, a delegada que era responsável pelo caso, Margareth Alferes de Oliveira Motta. A perícia constatou que a morte se deu por asfixia mecânica, como esganadura ou sufocamento. Martônio foi considerado suspeito antes de ser liberado Martônio, que era vizinho da vítima, chegou a ser considerado suspeito durante as investigações em 2006. Policiais foram à casa dele no dia em que Giovanna desapareceu. A mulher que à época estava casada com Martônio disse aos policiais que ele estava sozinho em casa quando a criança sumiu. Os policiais encontraram um colchão com mancha de urina no imóvel e solicitaram que a mulher aguardasse a chegada da perícia. Entretanto, quando os policiais voltaram, o colchão não foi mais encontrado e a casa havia sido lavada com água sanitária. Na época, a perícia detectou que a calcinha de Giovanna também estava impregnada de urina. No quintal da casa do suspeito, os policiais encontraram um fio de energia que era semelhante ao fio que estava amarrado ao corpo da criança. Apesar desses fatos, Martônio prestou depoimento e foi liberado. Outros suspeitos foram presos e, anos depois, inocentados pelo crime. Leia mais abaixo. Suspeito 'debochava' da polícia Martônio Alves Batista tem 55 anos e foi preso preventivamente em Londrina. Reprodução Na reabertura do caso, em 2026, uma testemunha ouvida pela polícia informou que, anos depois da morte de Giovanna, o homem "debochava" do caso e utilizava o fato para aterrorizá-la, em um contexto de violência doméstica. "Referiu-se aos policiais como 'idiotas e tapados', afirmando que 'estava tudo na frente deles'. Disse que o pedaço de fio utilizado para amarrar o corpo da vítima foi cortado de um rolo que ele possuía em casa; durante a diligência policial, ele segurou o rolo de fio (cuja extremidade/numeração se encaixava perfeitamente no pedaço usado no crime) enquanto o policial o examinava, sem nada perceber", afirma um dos documentos que compõe o inquérito policial. Segundo o relato da testemunha para a polícia, o homem afirmava que "ninguém o pegou naquela época e ninguém nunca iria pegar" e a ameaçava: "Eu posso sumir com todos vocês e ninguém nunca vai achar vocês, eu nunca vou ser preso". Outras pessoas foram julgadas pelo crime As roupas de Giovanna foram encontradas em frente à casa de Martônio, vizinha à residência de uma casa de tarô, habitada por ciganos. Na época do crime, a investigação conduzida pela polícia focou como suspeitos três das pessoas que viviam na casa de tarô. Em um dos documentos do inquérito feito após a reabertura do caso, uma testemunha afirma que, ao encontrar na casa objetos ligados à leitura de cartas, a investigação passou a considerar que o crime pudesse ter sido cometido em um "ritual satânico" ou de "magia negra". Na época, fotos dos três ciganos foram publicadas na internet e a delegada que trabalhou no caso afirmou que havia "fortes indicativos de que o crime estivesse ligado a algum tipo de ritual". Os acusados chegaram a ficar presos por seis anos e foram levados a júri popular em 2012. Na ocasião, tanto a acusação quanto a defesa se manifestaram pela absolvição por ausência de provas, tese que foi acolhida pelo Conselho de Sentença, resultando na absolvição dos três. O caso foi arquivado. LEIA TAMBÉM: Imagens: Homem arrisca vida de bebê para foto em mirante das Cataratas do Iguaçu Curiosidade: Paranaense busca título de melhor limpador de vidros do mundo em competição nos EUA Briga por R$ 5: Dono de bar investigado por matar jovem após briga por ficha de fliperama é preso Novas provas e relatos em 2026 Com a reabertura do caso, a polícia ouviu ex-companheiras de Martônio. Algumas contaram que a mulher que era casada com ele em 2006, ano da morte de Giovanna, procurou algumas delas para fazer um alerta. Nessas conversas, ela disse que foi obrigada a limpar a casa para eliminar possíveis provas do crime. Uma das mulheres revelou à delegada que Martônio confessou como teria agido no assassinato de Giovanna, o que condiz com as provas apuradas pela perícia. "Ele relata [à ex-companheira] que, na data dos fatos, a Giovanna estava vendendo rifas, e ele falou para ela que não tinha dinheiro ali fora, só tinha dentro de casa. E falou para ela entrar na casa dele, que iria pegar o dinheiro. Ele relata para essa ex-companheira que, assim que ela [Giovanna] entrou, ele passou a sufocar e desmaiar ela e aí cometeu a violência sexual. Ele diz também que, após esse fato, ele percebeu o que tinha feito, que a menina iria reconhecê-lo. Então ele deu um jeito de ocultar o corpo, jogando o corpo numa outra área, e colocando as roupas dela em outra região para incriminar terceiros", detalha a delegada Cecconello. Caso foi reaberto após denúncia feita por outra vítima de abuso sexual Momento da prisão de Martonio, em Londrina. PC-PR Uma ex-enteada de Martônio procurou a delegacia e relatou que ele cometeu abusos sexuais contra ela por anos. Ela contou que foi vítima dele dos 11 aos 14 anos, mas afirma que não contou a ninguém porque ele a ameaçava, dizendo que ela seria "a próxima Giovanna". "Nas ameaças, ele sempre cita que já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima", explicou a delegada. A delegada não informou a data em que a denúncia foi feita, mas disse que a vítima reconheceu o agressor após a prisão de Martônio em um outro caso, em 2018. O homem foi preso por ter instalado câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria da qual era dono. Ele chegou a ficar preso pelo crime por alguns meses e depois conseguiu o direito de responder em liberdade. Ao reconhecer Martônio em reportagens da época, a ex-enteada contou à mãe sobre os abusos sofridos na infância e também procurou um advogado. Foi desta forma que ela descobriu que a Giovanna citada nas ameaças, era Giovanna dos Reis Costa. As duas mulheres, então, foram à delegacia, onde contaram que não denunciaram antes porque foram ameaçadas e fugiram dele. A mãe relatou que, na época em que se relacionava com Martônio, chegou a confrontar o homem ao perceber sinais de que a filha poderia ter sido vítima de abusos. "O Martônio, então, acaba dizendo para ela: 'você sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou testemunha, eu fui o autor'", detalha a delegada Cecconello. Martônio está em prisão preventiva, suspeito de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Ele ficou em silêncio durante o depoimento à polícia. Ele também é investigado por crimes sexuais contra outras pessoas. Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças O que diz a defesa Ao g1, o advogado Eduardo Caldeira informou que não teve acesso ao processo e que aguarda para novas manifestações. Leia a íntegra: "Em relação às notícias que vêm sendo divulgadas sob a prisão do meu cliente, Martônio Alves Batista, informo que fui procurado, sim, para fazer a avaliação da situação jurídica sobre o caso. E, até o presente momento, não tivemos acesso à íntegra dos autos, nem ao processo e nem à decisão judicial que decretou a prisão preventiva do senhor Martonio. Portanto, qualquer manifestação mais aprofundada seria precipitada. O que posso informar é que no Estado Democrático de Direito, toda pessoa tem o direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Assim que tivermos acesso oficial aos elementos do processo, adotaremos as medidas judiciais cabíveis, sempre com responsabilidade dentro da legalidade." Infográfico - Caso de assassinato de criança é reaberto após 20 anos, no Paraná Arte/g1 VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/02/20/desaparecida-durante-venda-de-rifas-caso-de-crianca-assassinada-em-2006-e-reaberto-quase-20-anos-depois-no-parana-relembre.ghtml


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