Dentista foi preso no PR após denúncias de 6 adultas que revelaram abusos de quando eram crianças: 'O silêncio protege o agressor'
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Mulheres falam sobre abusos que sofreram quando eram crianças
O dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior, preso suspeito de estuprar crianças e adolescentes no início de março, foi detido após seis mulheres adultas procurarem a polícia e denunciarem que foram abusadas pelo homem enquanto eram crianças.
A maioria são familiares de Luis, e os relatos apontam que os crimes aconteceram em reuniões da família na chácara que ele possui em Teixeira Soares, cidade dos Campos Gerais do Paraná que possui cerca de 9,5 mil habitantes.
A primeira vítima procurou a polícia em outubro de 2025, o que encorajou outras cinco a também denunciarem o homem. Atualmente, as seis mulheres têm entre 27 e 40 anos, e todas contam que foram abusadas quando eram crianças e adolescentes e conviveram com a dor em silêncio por muito tempo.
"Eu espero que muitas vítimas se permitam a falar sobre isso [abusos], porque eu sei a sensação e eu quero que elas se permitam sentir o mesmo. Eu espero que elas se permitam parar de carregar esse peso que não é delas porque falar sobre isso é libertador! O silêncio não protege a vítima, ele protege o agressor", disse uma das mulheres em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.
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Outra complementou dizendo que, por muito tempo, teve vergonha do que aconteceu - e, por isso, levou anos até mesmo para entender que passou por uma situação de abuso sexual infantil. Veja detalhes mais abaixo.
Luis Alberto Pohlmann Jr. responde pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual.
O advogado Felipe Petrin, que atua na defesa do dentista, disse que teve acesso ao inquérito e está analisando os fatos, e afirmou esperar que eles sejam analisados "com cuidado e sem qualquer tipo de julgamento antecipado".
"Relatos são importantes e precisam ser levados a sério, mas o processo penal exige que esses relatos sejam analisados à luz de outros elementos de prova, especialmente quando se trata de casos que teriam ocorrido há muitos anos. A análise probatória precisa ser extremamente cuidadosa, o que se espera agora é que toda a apuração ocorra com serenidade e responsabilidade, dentro do devido processo legal, para que os fatos sejam analisados com cuidado e sem qualquer tipo de julgamento antecipado", diz o advogado.
A expectativa da Polícia Civil é finalizar o inquérito nos próximos dias. Além do processo atual, o homem já foi condenado por importunação sexual de uma paciente e também é réu em outra ação, pelo mesmo crime, movida por outra vítima.
Atualmente, Luis mantém um consultório em Curitiba. Em nota, o Conselho Regional de Odontologia confirmou que ele está com registro ativo, mas não informou se há, ou não, algum procedimento em andamento para investigar a conduta do dentista, alegando se tratar de informação sigilosa.
Luis Alberto Pohlmann Júnior foi preso preventivamente
Reprodução/RPC
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Dentista se aproveitava da confiança dos familiares, diz delegado
Polícia afirma que muitos abusos aconteceram na chácara do dentista, durante reuniões em família
RPC
O delegado Rafael Nunes afirma que Luis Alberto Pohlmann Júnior se aproveitava da confiança depositada nele - tanto como profissional, quanto como familiar - para cometer os crimes.
As investigações também apontam que o homem usava sempre o mesmo "modus operandi": buscava ficar sozinho com as vítimas, ou agia de forma que outras pessoas não pudessem ver o que estava acontecendo.
Entre as vítimas ouvidas pela RPC, uma contou que foi estuprada após um convite para brincar na piscina, outra disse que o homem se aproveitou da "desculpa" de assistir a um filme para abusá-la por baixo de um cobertor, e outra disse que ele a fez sentar no colo dele para "mostrar um jogo", por exemplo.
Todas relataram que o homem era muito querido e respeitado na família, tanto pelo jeito com que ele tratava os adultos, quanto pelo poder aquisitivo que possuía.
"Por muito tempo eu achava que aquilo era só brincadeira; eu não entendia que estava sendo abusada... Por muito tempo, eu achei que eu permiti [os abusos]. Porque quando você é criança, não sabe o que está acontecendo".
Para o delegado, os depoimentos das vítimas foram muito claros e precisos, o que contribuiu para o pedido e o mandado de prisão preventiva.
"É um silêncio muito pesado. Eu carreguei, durante anos, um peso que não era meu... por vergonha, principalmente", disse outra vítima.
Denúncias
Saiba como denunciar crimes no Paraná
Denúncias sobre este ou quaisquer outros casos podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 197, da Polícia Civil, ou, 181, do Disque-Denúncia.
Se o crime estiver acontecendo naquele momento e/ou houver alguém em situação de perigo, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
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