6 em cada 10 cigarros consumidos no Paraná são ilegais; mais que o dobro da média nacional
20/03/2026
(Foto: Reprodução) 6 em cada 10 cigarros consumidos no Paraná são ilegais
Cerca de 60% dos cigarros consumidos no Paraná são ilegais, mais que o dobro da média nacional, de 31%. Os dados são do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e representam o maior índice no estado desde 2021.
Segundo a Receita Federal do Brasil, em 2024 foram apreendidos mais de 70 milhões de maços de cigarros contrabandeados, avaliados em R$ 385 milhões. Naquele ano, o Paraná concentrou 47% de todas as apreensões do país.
Em 2025, o volume caiu para R$ 334 milhões. Até março deste ano, foram apreendidos cerca de R$ 50 milhões e pouco mais de 7 milhões de maços, o equivalente a 41% do total nacional.
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De acordo com a Receita, a região de Foz do Iguaçu, no oeste do estado, é uma das principais portas de entrada do contrabando do cigarro.
“Quase 53% das apreensões feitas no estado e mais de 1/5 das apreensões no país, neste ano, aconteceram em Foz”, afirma Jose Antonio Bassoni, chefe de comunicação do órgão na região.
Cerca de 500 mil maços de cigarros contrabandeados estavam em um caminhão com reboque. Carga foi avaliada em R$ 3,2 milhões
Polícia Rodoviária/Divulgação
O presidente do FNCP, Edson Vismona, diz que a posição geográfica favorece o crime.
“O Paraná é um estado estratégico, com a fronteira que tem de Guaíra até Foz do Iguaçu, com o Paraguai, e todo o lago de Itaipu. Então temos muitas frentes de entrada de produtos ilegais”, explica.
Atualmente, cerca de 85% dos cigarros ilegais entram no país pelas fronteiras do Paraná e do Mato Grosso do Sul. A maior parte vem do Paraguai e é distribuída para todo o Brasil.
O FNCP estima que o mercado ilegal movimentou R$ 1,8 bilhão no Paraná em 2025. Só em perdas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o prejuízo chega a R$ 660 milhões.
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Impostos sobre cigarro
A diferença de impostos entre os países é um dos principais fatores que, segundo os pesquisadores, incentiva o mercado ilegal.
No Brasil, a carga tributária sobre o cigarro varia entre 70% e 90%. No Paraguai, a média é de 13%. Isso faz com que o produto ilegal chegue ao consumidor até 40% mais barato.
“O consumidor pede o cigarro estrangeiro porque sabe que é mais barato. E é mais barato porque não paga imposto”, afirma Vismona.
Segundo Vismona, os produtos ilegais são facilmente encontrados em comercios brasileiros, como barraquinhas nas ruas, bares e padarias.
“Geralmente está escondido, mas quando o cliente pede nas bancas de jornal, de forma mais discreta, é oferecido porque é mais barato e não paga imposto”, conta Edson.
Fábricas ilgeais de cigarro
Produção de cigarro em uma das fábricas de Adisinho, segundo a Polícia Federal
Reprodução
Além do contrabando, as autoridades também apontam o crescimento de fábricas clandestinas no Brasil, que produzem cigarros sem controle sanitário e sem pagamento de tributos.
“Temos verificado também as fábricas clandestinas, que produzem o cigarro sem pagar qualquer imposto, sem obedecer qualquer regra da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dentro do território nacional, falsificando inclusive marcas paraguaias”, diz Edson Vismona.
Segundo ele, a vantagem dessa fábrica clandestina é que ela está instalada dentro do território brasileiro, próximo dos centros de consumo e também não paga nada de impostos, por isso atrai o consumidor que procura um preço mais baixo.
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